This is one of my last poems, in Portuguese. It was recited by the Brasilien Ambassador Lauro Moreira, a man of culture. It was requested to me by a friend, film director, João Pina, to include in a short movie. You can listen here Lauro Moreira, a great Ambassador of the Portuguese language.

Ilusão

 Nasceste um dia mergulhada na aparente felicidade dos humanos

E quiseste ser filósofa.

Um dia compreendeste que o mundo dos sentidos é apenas um pálido reflexo

Da verdadeira realidade.

Que habitamos uma caverna insidiosa onde apenas o que vemos são silhuetas.

O mundo das ideias,

A permanente incerteza da dualidade,

Sempre confrontada com o Bem e com o Mal…

Na rua informe apercebes-te de vozes belicosas,

Sons saturados de humores hediondos,

Caminhos obstruídos,

Extremidades angulosas.

Trânsito e comércio numa multitude ruidosa em teu redor.

Queres respirar e permanecer de pé e correr,

Teus pequenos pés, com evidente incomodidade, impelem-te a experimentar o mundo, a pedalar a tua pequena bicicleta de papel.

Tens em teu redor apenas paredes húmidas e gente melancólica,

Mas sentes algures dentro de ti que a natureza é inesgotável,

Estátua egípcia que persiste em pé contra a força dos elementos,

Formas internas e externas onde se plasma o teu querer,

O teu sonho em todas as cores.

E com pontos e linhas te imaginas, vivaz,

Percorrendo a superfície lunar em cavalinho de pau,

Nuvem inquieta deambulando pelo espaço,

Surpreendente libélula livre e una.

Então sabes o teu destino…

A libertadora descoberta de que a vida sem a arte não faz qualquer sentido.

 

25-09-2013, Almada,

Mário J. Pinheiro

 

Advertisements